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KPMG diz que vai chegar uma nova vaga de aquisições de seguradoras


O setor dos seguros a nível mundial está a entrar num novo ciclo de transformação profunda, marcado pela aceleração da inteligência artificial (IA), pelo reforço da cibersegurança e pela intensificação das operações de fusões e aquisições. Estas conclusões constam do relatório do Insurance CEO Outlook da KPMG, que reuniu as perspetivas de 110 CEO das maiores seguradoras mundiais, todas elas com receitas anuais superiores a 500 milhões de dólares.

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Nuno Esteves, Head of the Insurance Sector da KPMG Portugal, considera que o país “tem aqui uma oportunidade única para acelerar esta transformação e reforçar a sua posição num mercado cada vez mais global”.

“Com 73% dos CEOs a dar prioridade à IA e 83% a identificar o cibercrime como o maior risco, fica claro que a capacidade de modernização tecnológica e de gestão de risco distinguirá os líderes das próximas décadas. Portugal tem aqui uma oportunidade única para acelerar esta transformação e reforçar a sua posição num mercado cada vez mais global”, comentou Nuno Esteves, Head of the Insurance Sector da KPMG Portugal.

M&A volta a ganhar impulso

A intensificação das operações de fusões e aquisições (M&A) é uma das conclusões mais marcantes do estudo. Metade dos CEO planeiam realizar transações de elevado impacto nos próximos três anos – o valor mais elevado entre todos os setores analisados – e 41% admitem avançar com operações de impacto moderado, focadas na aquisição de insurtech, capacidades de análise de dados e expansão para novas linhas de negócio.

Entre as motivações principais encontram-se a necessidade de modernizar sistemas legados, de responder às crescentes exigências regulatórias em matéria de cibersegurança e ESG, e de beneficiar de sinergias operacionais que permitam reduzir custos de capital.

Inteligência artificial no centro da estratégia

A IA consolidou-se como eixo estratégico das seguradoras a nível mundial. 73% dos CEOs destacam-na como a principal prioridade de investimento e 67% tencionam dedicar entre 10% e 20% dos seus orçamentos anuais a projetos de IA. Além disso, 67% esperam obter um retorno financeiro destes investimentos num prazo curto de um a três anos, o que representa um aumento significativo face aos 21% que tinham esta expectativa em 2024.

Rui Gonçalves, Partner e Head of Technology Consulting da KPMG Portugal refere estarmos perante uma mudança estrutural: “a IA deixa de ser piloto e torna-se o motor de competitividade nas seguradoras. Com mais de 70% dos CEOs a priorizarem investimento, a IA já impulsiona a eficiência, a subscrição, e o combate à fraude e personalização. O salto na expectativa de retorno em 1a 3 anos mostra que os casos de uso estão a escalar. Quem investir na IA, com boa governance e dados, ganhará vantagem sobre os restantes players do mercado”, conclui.

Entre as aplicações mais avançadas, destacam-se a automatização de sinistros com análise automática de imagens, modelos de subscrição algorítmica baseados em dados alternativos, soluções de combate à fraude com recurso à IA e a utilização crescente de agentes inteligentes em operações híbridas. O estudo realça também o potencial da IA agêntica, com 44% dos CEOs a preverem um impacto significativo ou transformacional nos seus modelos operacionais.

Cibercrime é o maior risco para as seguradoras

À medida que a transformação digital acelera, o cibercrime destaca-se como a principal ameaça ao crescimento das seguradoras. De facto, 83% dos CEOs identificam a insegurança digital como o maior obstáculo à expansão das suas organizações, tornando a cibersegurança uma área prioritária de investimento, nomeadamente no que se refere à resiliência digital e à proteção de dados sensíveis.

Além disso, 56% dos líderes referem que os desafios éticos da IA, relacionados com a transparência, os enviesamentos e a explicabilidade dos modelos, são a maior barreira à sua implementação, o que evidencia o crescente peso da regulação tecnológica, sobretudo na Europa.

Talento tecnológico e upskilling são fatores críticos

O relatório indica que as seguradoras enfrentam uma pressão crescente para atrair e reter talento especializado em IA, análise de dados e cibersegurança. 77% dos CEOs referem que a falta de competências em IA limita a capacidade de crescimento das suas organizações e 75% reconhecem um aumento significativo da concorrência no que se refere a talento tecnológico.

A formação interna ganha, assim, maior relevância, com 83% dos inquiridos a afirmarem que a IA já transformou os métodos de formação e desenvolvimento dos colaboradores. O impacto do envelhecimento demográfico no setor também é evidente: 31% dos líderes indicam que a saída de trabalhadores experientes para a reforma é um dos maiores desafios de gestão de talento.

Apesar de tudo, CEO mais otimistas quanto ao crescimento

O relatório revela que os líderes das seguradoras estão muito mais confiantes no crescimento do setor e das suas próprias empresas. De facto, 82% dos CEOs afirmam estar otimistas em relação ao desempenho das suas empresas nos próximos três anos, o que representa um aumento substancial face aos 74% registados em 2024. Em paralelo, 78% acreditam no crescimento contínuo da indústria seguradora a nível mundial.

Este otimismo é reforçado pelas projeções financeiras: 15% dos CEOs esperam um crescimento anual entre 5% e 9,9%, o que representa um aumento face aos 11% registados no ano anterior, enquanto 41% antecipam aumentos entre 2,5% e 4,9%. A procura crescente de seguros de saúde, de vida, de ciber-risco e de interrupção de atividade contribui para este cenário positivo.

A KPMG, autora do estudo, é uma rede global de firmas que prestam serviços de auditoria, fiscalidade e consultoria presente em 138 paíse. Em Portugal, a KPMG tem escritórios em Lisboa, Porto e Évora com 93 membros em partnership e mais de 1.700 colaboradores.

O estudo pode ser visto aqui