63,3% dos portugueses admitem poupar, mas apenas 22,1% o faz para a reforma, diz estudo da BPI Vida e Pensões

63,3% dos portugueses admitem poupar, mas apenas 22,1% o faz para a reforma, diz estudo da BPI Vida e Pensões

Seis em cada dez portugueses poupam, mas não para a reforma. A poupança está concentrada em imprevistos de curto prazo, numa altura em que a longevidade cresce e o sistema público de pensões dá sinais de pressão crescente. É o retrato traçado pelo estudo “Pensar o Futuro: como os Portugueses investem no seu futuro em saúde, relações sociais, espaços e ambientes e finanças”, agora divulgado pela seguradora BPI Vida e Pensões.

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Os números mostram que apenas 22,1% dos inquiridos têm um Plano de Poupança Reforma (PPR) e a poupança existente está concentrada em depósitos e produtos de capital garantido – instrumentos de baixo risco, mas também de baixo retorno. Ao mesmo tempo, os portugueses estimam viver, em média, até aos 84,2 anos, e antecipam uma deterioração da saúde por volta dos 66,5 anos, o que significa quase duas décadas dependentes de pensões e poupanças acumuladas.

O problema agrava-se quando se olha para o futuro das pensões públicas. As projeções da Comissão Europeia apontam para que as despesas com pensões atinjam 15% do PIB em 2046, sendo expectável que a primeira pensão seja inferior ao último salário, sobretudo para quem teve progressões de carreira mais expressivas.

O custo de não poupar cedo é concreto. Segundo cálculos do BPI Vida e Pensões, 30 euros mensais investidos durante 40 anos num produto com retorno médio de 5% geram 46.149 euros. O mesmo valor em produtos de baixo risco, com retorno de 1%, produz apenas 18.140 euros, menos de metade.

Cerca de 67,3% dos inquiridos consideram útil pensar no futuro a longo prazo, mas apenas 50,6% admitem fazê-lo regularmente. Cerca de 22,2% dos inquiridos têm uma abordagem estruturada de investimento, enquanto 17,6% privilegiam o presente e 60,2% consideram que o melhor é conciliar ambas. Para além disto, 63,3% dos portugueses afirmam poupar atualmente, mas essa poupança não é dirigida para a reforma, com apenas 22,1% dos inquiridos a referirem possuir um Plano de Poupança Reforma (PPR).

A falta de capacidade financeira é apontada como o principal obstáculo, sendo que os participantes avaliam a sua capacidade para investir em produtos de maior risco em apenas 4,2, numa escala de 0 a 10, e 6,1 em esquemas de poupança regular.

Para além das finanças, o estudo analisou outras três dimensões do bem-estar futuro: saúde, relações sociais e espaços de vida. A saúde lidera as prioridades (8,45 em 10), com mais de metade dos portugueses já a adotar comportamentos preventivos, como alimentação e vida saudável (58,1%) e consultas médicas regulares (56%). As relações sociais ficam em último lugar (6,99), e a adaptação das casas a limitações futuras é residual: apenas 7,7% dos inquiridos tomaram medidas nesse sentido.

“Estamos a viver um momento único na história, em que a expectativa de vida aumentou significativamente. No entanto, como sociedade, não estamos mentalizados para preparar esse tempo”, afirma Isabel Castelo Branco, CEO da BPI Vida e Pensões. “É importante tomar consciência de que há ações que estão no nosso controlo e que nos podem ajudar a preparar esse futuro mais longo com maior qualidade de vida.”

O estudo, com coordenação científica da professora Maria João Valente Rosa, envolveu focus groups em Lisboa e Porto e 802 entrevistas a residentes do continente com idades entre os 25 e os 70 anos.