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PR sobre encontro da APS: “O país precisa da vossa competência técnica e da vossa prudência financeira”

PR sobre encontro da APS: “O país precisa da vossa competência técnica e da vossa prudência financeira”


Foi explicando o mote “Proteger no Mar, Terra, Ar e Ciberespaço” que o presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), José Galamba de Oliveira, abriu o XX Encontro Internacional de Resseguros, que está a decorrer no Estoril. Este encontro, sempre promovido pela APS, realiza-se desde o início da década de 1980 e reúne em Portugal dirigentes de todas as principais resseguradoras mundiais.

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Ao mote geral, o presidente da APS junta o tema “Longevidade: Uma Conversa com Futuro”, lembrando que a baixa taxa de natalidade em conjunto com a longevidade é “um desafio social e para as seguradoras”.

Terminou a sua introdução num louvor a Miguel Guimarães, dirigente histórico da APS durante 38 anos e recentemente falecido.

António José Seguro: “é preciso não esquecer particulares e empresas que continuam com situações por regularizar”

O Presidente da República endereçou uma mensagem ao congresso salientando que “o setor é de vital importância, principalmente quando novas interdependências desafiam os atuais modelos de proteção”. Reforçou que os seguros têm uma utilidade social inimaginável sendo uma promessa de proteção e de confiança que permanece depois dos sinistros.

A mensagem do PR mencionou também a necessidade de alargar a base de cobertura por seguros afirmando ser possível uma “partilha de riscos através da cooperação entre Estado, Regulador, Seguradoras e resseguradoras, autarquias e cidadãos”.

Lembrou ainda “que é preciso não esquecer particulares e empresas que continuam com situações por regularizar em consequência dos sinistros provocados pelos temporais na zona centro do país.

Thierry Léger: ““quando as pessoas saem das empresas, como estão a sair, não se deve à IA, há outras razões”

Thierry Léger, Diretor Executivo da SCOR, resseguradora francesa que está entre as cinco maiores do mundo, falou sobre a sua experiência em Portugal há 30 anos quando começou a trabalhar em seguros. Muitas diferenças vê para os tempos atuais em que identificou como grandes desafios os riscos provocados pelas alterações climáticas, pelo envelhecimento das sociedades, pela Inteligência Artificial e pela fragmentação política.

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Salientou ainda os problemas atuais de protection gap que levam até à insegurabilidade dos riscos, passando pelos custos elevados dos seguros e chama à atenção, pela sua experiência a lidar com empresas, que a IA está a ser classificada como fator de redução de colaboradores injustamente: “quando as pessoas saem das empresas, como estão a sair, não se deve à IA, há outras razões”.

Yordanka Velichkova: “Portugal perdeu para o mar o equivalente a 1.400 campos de futebol”

Foi sobre “A subida do nível do mar e riscos emergentes: uma estratégia para o futuro” que Yordanka Velichkova, Responsável Perigos Catastróficos EMEA & Métodos da resseguradora Swiss Re, se debruçou. E revelou que Portugal perdeu 13,5 km2 para o mar – o equivalente a 1.400 campos de futebol – nas últimas décadas. A apresentação referiu a vulnerabilidade crescente, explicando que muitos sistemas de proteção existentes foram concebidos para padrões climáticos do passado e já não respondem adequadamente à nova realidade climática.

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“Embora as alterações climáticas sejam um fator importante, o crescimento das perdas económicas resulta, sobretudo, da concentração crescente de pessoas, infraestruturas e ativos em zonas vulneráveis”, referiu.

Identificou vários “drivers” das perdas. O primeiro é o desenvolvimento económico, que aumenta o número de ativos seguráveis e o valor exposto ao risco. “Quanto mais urbanização, infraestruturas e património existem, maior é o impacto financeiro de eventos climáticos extremos”.

Outro fator destacado foi a concentração em áreas expostas, nomeadamente zonas costeiras e cidades densamente urbanizadas, salientando que “o crescimento urbano em regiões vulneráveis faz aumentar significativamente os danos potenciais causados por cheias, tempestades, incêndios ou subida do nível do mar”.

Ponto relevante focado foi a chamada “claims inflation”, ou inflação dos custos de sinistros. Mesmo quando os fenómenos naturais mantêm intensidade semelhante, os custos de reconstrução, materiais, mão-de-obra e compensações tornam os prejuízos muito mais elevados para seguradoras e resseguradoras.

As alterações climáticas surgem, para a resseguradora, descritas como um “amplificador” dos riscos existentes. Ou seja, não são necessariamente a única causa das perdas crescentes, mas agravam fenómenos naturais, aumentam a frequência de eventos extremos e elevam a pressão sobre sistemas urbanos e económicos.

A apresentação confirmou que o risco climático deixou de ser apenas uma questão ambiental e passou a ser também um problema económico, financeiro e de planeamento territorial. “A capacidade de adaptação, prevenção e gestão de exposição será determinante para reduzir perdas futuras e garantir sustentabilidade aos sistemas de seguros e resseguros”, concluiu.

Inês dos Santos Costa: É difícil conciliar proteção ambiental, habitação, turismo e atividade económica

Inês dos Santos Costa, Sócia Associada da Deloitte na área de Sustentabilidade, considerou que, embora as alterações climáticas sejam um fator importante, o crescimento das perdas económicas resulta, sobretudo, da concentração crescente de pessoas, infraestruturas e ativos em zonas vulneráveis.

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Inês Santos Costa, que foi Secretária de Estado do Ambiente entre 2019 e 2022, reforçou a urgência de intervenção perante os riscos crescentes associados às alterações climáticas e ao avanço do mar sobre zonas costeiras.

Acrescenta que Portugal “possui uma abordagem tecnicamente sólida e relativamente bem estruturada para enfrentar a erosão costeira”. No entanto, sublinha também que “o país continua demasiado dependente de respostas reativas, enfrentando dificuldades ao nível do financiamento, da coordenação institucional e da integração do risco climático nas estratégias de desenvolvimento económico”.

Enfatizou a necessidade de impor restrições à construção em zonas de risco, incluindo recuos planeados e regras mais rigorosas de ocupação do território costeiro. Esta é uma das dimensões mais sensíveis do debate, diz Inês dos Santos Costa ao implicar a conciliação de “proteção ambiental, habitação, turismo e atividade económica”.

Além disso, são referidos mecanismos de monitorização e intervenções de emergência, mostrando que a gestão costeira exige acompanhamento constante e capacidade de resposta rápida.

Em resumo, para a ex-secretária de Estado ainda recentemente no cargo, Portugal conhece os riscos associados à erosão costeira e possui instrumentos técnicos para os enfrentar, mas o grande desafio está em transformar planeamento e estratégia em ação coordenada, preventiva e sustentável a longo prazo.

David Wade: Disponibilidade de seguros é ínfima para uma indústria de 415 milhões de dólares

Uma visão global da indústria espacial em 2024, estimando um volume de receitas de cerca de 415 mil milhões de dólares, foi uma das primeiras grandezas reveladas por David Wade, subscritor de Riscos Espaciais na Atrium Space Insurance Consortium, pertencente ao Syndicate 609 da Lloyd’s of London.

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O principal destaque foi para a chamada “Satellite Industry”, que representa aproximadamente 293 mil milhões de dólares, ou seja, mais de dois terços de toda a economia espacial. Dentro deste segmento, o maior peso pertence aos equipamentos terrestres (“Ground Equipment”), com 155,3 mil milhões de dólares. Aqui incluem-se dispositivos como recetores GPS, antenas, boxes de televisão por satélite e estações terrestres. Isto demonstra que grande parte do valor económico do espaço está, na verdade, nos serviços e equipamentos utilizados diariamente na Terra.

Os serviços de satélite (“Satellite Services”) representam 108,3 mil milhões de dólares e incluem áreas como televisão por satélite, internet via satélite, telecomunicações móveis, rádio e observação da Terra. Este crescimento mostra como as infraestruturas espaciais se tornaram críticas para comunicações, conectividade global e recolha de dados.

Já a produção de satélites (“Satellite Manufacturing”) representa cerca de 20 mil milhões de dólares, enquanto os serviços de lançamento (“Launch Services”) têm um peso mais reduzido, cerca de 9,3 mil milhões. Apesar da enorme visibilidade mediática das empresas de lançamentos espaciais, o gráfico mostra que esta é apenas uma pequena parte da cadeia de valor da economia espacial.

David Wade também referiu o peso da indústria não de satélites, avaliada em 122 mil milhões de dólares. Esta inclui os orçamentos espaciais governamentais e o turismo espacial comercial, provando que os Estados continuam a desempenhar um papel fundamental no financiamento e desenvolvimento do setor.

Por fim, surge ainda uma pequena componente ligada à sustentabilidade espacial, estimada em 350 milhões de dólares, refletindo um tema emergente relacionado com mitigação de lixo espacial, gestão orbital e proteção das infraestruturas espaciais.

Para Wade, a economia espacial moderna é cada vez menos dependente da exploração espacial tradicional e cada vez mais orientada para serviços comerciais, telecomunicações, dados e aplicações práticas utilizadas no quotidiano de empresas e consumidores.

Destaque ainda para o “Novo Espaço”, pela transformação da exploração espacial, passando de programas controlados por governos, para atividades comerciais privadas.

Neste campo, David Wade salientou o crescimento do investimento privado no setor espacial, como a SpaceX e a Blue Origin, foguetes reutilizáveis que diminuem os custos de lançamento, avanços eletrónicos que tornam os satélites mais baratos e com custos menores, que permitem novas aplicações de satélites mais competitivas do que soluções terrestres.

Notou ainda que Governos e forças armadas passaram a comprar serviços de satélite em vez de desenvolver programas próprios.

David Wade prevê que o mercado espacial cresça rapidamente, com novos modelos de satélites e veículos de lançamento, mas – no outro lado – a capacidade seguradora está muito atrás, apenas 450 milhões de euros estão disponíveis no mercado segurador para a indústria espacial, uma ínfima parte do que é necessário, concluiu.

Ainda mais no Espaço: Astrofísico Pedro Machado vs. Músico Carlos Martins

Para terminar o primeiro dia do XX Encontro de Resseguros, um diálogo entre Carlos Martins, Diretor Artístico, Compositor, Músico e Pedro Machado, Astrofísico da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, discorreu sobre a realidade espacial. Os companheiros de palco conversaram sobre o desconhecido e o improviso procurando – felizmente sem grande afinco – um paralelismo entre o mundo espacial e criativo e a indústria seguradora.

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Com Pedro Machado a estudar o espaço longínquo e Carlos Martins na busca de acordos e harmonias nascidas do acaso, a APS voltou a oferecer uma tónica inovadora aos temas das suas iniciativas.