Reclamações contra seguradoras sobem 21% em 2025, revela ASF

Reclamações contra seguradoras sobem 21% em 2025, revela ASF

As reclamações apresentadas junto da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) atingiram as 2.945 em 2025, mais 21% do que no ano anterior, segundo o “Relatório de Regulação e Supervisão da Conduta de Mercado 2025”, divulgado pela ASF.

O crescimento do número de reclamações acompanha uma mudança nos hábitos dos consumidores: 75% das queixas foram submetidas através do Portal do Consumidor, o canal digital da ASF, que registou um aumento de 44% face a 2024. Os dados confirmam a consolidação deste meio digital como principal forma de contacto entre os consumidores e o regulador.

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Automóvel lidera queixas, mas sinistros são o principal motivo

O seguro automóvel continua a ser o que mais reclamações gera, concentrando 44% das queixas relativas ao ramo Não Vida, que, no seu conjunto, representa 86% do total analisado pela ASF, com 2.135 queixas. Seguem-se o seguro de incêndio e outros danos, com 21%, e o seguro de saúde, com 8%. Já o ramo Vida pesa 10% nas reclamações, com 84 queixas apreciadas pelo regulador.

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Quando analisado por tipo de assunto, o relatório mostra que os sinistros são de longe a principal fonte de descontentamento dos consumidores, representando 70% das reclamações. Seguem-se as questões relacionadas com o conteúdo e a vigência dos contratos (19%) e os assuntos ligados ao prémio do seguro (5%).

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Peso das queixas continua reduzido face à dimensão do mercado

Apesar do aumento homólogo, a ASF sublinha que o volume de reclamações permanece baixo quando comparado com a dimensão do universo segurado. No seguro automóvel, as 7.057 reclamações registadas correspondem a 0,80 queixas por cada mil dos cerca de 9 milhões de veículos seguros em Portugal. No seguro de saúde, as 3.933 reclamações equivalem a 0,88 por cada mil das aproximadamente 4,5 milhões de pessoas seguras. Já no seguro de vida temporário sem participação nos resultados, as 601 reclamações traduzem-se numa proporção de 0,15 por cada mil das cerca de 4,5 milhões de pessoas seguras.

Maioria das reclamações continua a ser desfavorável ao consumidor

Em 2025, das 2.219 reclamações apreciadas pela ASF (2.135 no conjunto dos ramos Não Vida e 84 no ramo Vida), a esmagadora maioria teve um desfecho desfavorável ao reclamante. Nos ramos Não Vida, 77,1% das respostas foram desfavoráveis, contra apenas 22,9% favoráveis. No ramo Vida, o cenário é semelhante: 78,6% de respostas desfavoráveis e 21,4% favoráveis.

Por ramo específico, dentro do Não Vida, destacam-se o seguro automóvel que teve 24,5% de respostas favoráveis em 2025, uma quebra face aos 29,5% de 2024. Já as “Perdas pecuniárias diversas” registaram a taxa de sucesso mais baixa para os consumidores, com apenas 9,1% de respostas favoráveis (e 90,9% desfavoráveis). Nos restantes seguros do ramo Não Vida, a totalidade das reclamações (100%) teve resposta desfavorável, tanto em 2025 como em 2024.

 

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No ramo Vida, o segmento “Seguro vida não ligado — PPR” foi o que registou a taxa mais elevada de respostas desfavoráveis (83,3%), enquanto o segmento de seguros ligados a fundos de investimento foi o único a apresentar mais respostas favoráveis (60,0%) do que desfavoráveis (40,0%), uma inversão face a 2024, ano em que este mesmo segmento tinha apenas 20,0% de respostas favoráveis.

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