Bernardino alerta que Pacote Tecnológico europeu “muda as regras do jogo”

Após a divulgação do European Technological Sovereignty Package (“Pacote de Soberania Tecnológica Europeia”), Gabriel Bernardino, presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), veio deixar um recado: “Dependemos de tecnologia que não controlamos. A Europa decidiu mudar as regras do jogo”.
Foi a 3 de junho que a União Europeia apresentou o Pacote de Soberania Tecnológica Europeia, uma das iniciativas para reduzir a dependência tecnológica de fornecedores estrangeiros, sobretudo dos EUA e da China. Este pacote inclui medidas para reforçar a capacidade europeia em semicondutores, cloud, inteligência artificial e infraestruturas digitais críticas, numa altura em que tensões geopolíticas estão cada vez mais intensas e se afiguram como uma das grandes preocupações das empresas.
De acordo com Bernardino, “hoje, mais de 80% das tecnologias digitais críticas vêm de fora da UE. Este cenário tornou a soberania digital no novo eixo central da gestão de risco”, sublinha o ex-presidente da Autoridade Europeia para Seguros e Pensões Ocupacionais (EIOPA), numa publicação no LinkedIn.
Bernardino defende que o pacote de soberania tecnológica europeia “não é apenas mais uma vaga de regulação”, mas sim “uma mudança estrutural profunda na forma como olhamos para os nossos dados, infraestruturas e modelos de Inteligência Artificial”.
Sendo o setor segurador uma área que lida com informação sensível, modelos de avaliação de risco, sistemas de decisão automatizada e infraestruturas cuja disponibilidade e integridade são essenciais, Bernardino ressalta que “as parcerias de cloud e a adoção de IA já não podem ser decididas apenas com base na eficiência ou nos custos”.
O presidente da ASF reconhece, no entanto, que “este é também um desafio para as autoridades públicas, que têm de integrar esta matriz de soberania nas suas políticas e garantir a proteção absoluta dos dados que a sociedade lhes confia”.
A inovação tecnológica tem sido uma das prioridades do presidente do regulador de seguros português que, em dezembro do ano passado, anunciou a intenção de criar uma Zona Livre Tecnológica (ZLT), um espaço destinado à experimentação de produtos, serviços e tecnologias inovadoras no setor.
Apesar deste pacote de Soberania Tecnológica Europeia já ter sido proposto, está agora em fase de negociação.




