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Category: ECOseguros

  • Plano poupança reforma: o que é?

    Plano poupança reforma: o que é?

    Plano poupança reforma: o que é?


    Um Plano Poupança Reforma (PPR) é um produto financeiro destinado a incentivar a poupança para a reforma, oferecendo dois principais benefícios fiscais:

    “À entrada”: Permite deduzir 20% do valor investido em cada ano no IRS, com limites baseados na idade. Até 35 anos, o máximo dedutível é 400€ (investindo 2.000€); entre 35 e 50 anos, o máximo é 350€ (investindo 1.750€); e após 50 anos, o máximo é 300€ (investindo 1.500€).

    “À saída”: Reduz a tributação sobre os rendimentos, desde que os resgates sejam feitos por motivos previstos, como complemento de reforma, doença grave ou amortização de crédito à habitação.

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    Existem diferentes tipos de PPRs, com características variadas:

    Garantia de capital: Alguns oferecem garantia de capital, enquanto outros não. PPRs com garantia de capital geralmente têm retornos esperados menores.

    Rentabilidade garantida: Alguns garantem uma taxa de rentabilidade, enquanto outros dependem da performance dos investimentos.

    Exposição a ações: PPRs podem investir mais ou menos em ações, influenciando o risco e o retorno esperado.

    Política de investimento: Algumas mantêm uma estratégia constante, enquanto outras adaptam a estratégia conforme os objetivos de reforma.

    Os PPRs podem ser adquiridos através dos mediadores de seguros ou bancos.

    Com um plano consistente, pode-se garantir uma maior estabilidade financeira no futuro.

    Finanças para Todos é um programa de literacia financeira desenvolvido pela Nova School of Business & Economics (Nova SBE) em parceria com a Fidelidade, com o objetivo de aumentar a literacia financeira em Portugal através de formações gratuitas para adultos. Para acompanhar em primeira mão os conteúdos desta parceria, e outros artigos sobre seguros, finanças pessoais e economia, subscreva a newsletter do ECOseguros.

  • Mais literacia financeira e maior digitalização são soluções para reduzir protection gap

    Mais literacia financeira e maior digitalização são soluções para reduzir protection gap

    Mais literacia financeira e maior digitalização são soluções para reduzir protection gap


    O setor segurador português debate-se com vários problemas: uma fraca cultura de risco, literacia financeira insuficiente e as consequências da falta de seguro, como ficou visível em Leiria, podem ser devastadoras.

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    Em mais um painel de “Mulheres com ECO”, composto por Ana Teixeira, cofundadora e CEO da Mudey, e Sofia Mendes, membro da comissão executiva da Verlingue Portugal e diretora de Comunicação, Marketing e Sustentabilidade, foi comum a opinião de que os portugueses poupam pouco e não protegem suficientemente os seus bens – o que pode levar a consequências devastadoras na altura do sinistro.

    Poupar para a reforma: um “problema do já, do agora”

    No centro desta conversa esteve em foco a poupança para a reforma, um tema que tem vindo a ganhar destaque na atualidade. “É um problema do já, do agora”, avisa Ana Teixeira. “Não podemos continuar a adiar, porque todos os dados indicam que quando chegarmos à reforma, que considerávamos como garantida, vai ser muito menor do aquilo que ganhávamos na idade ativa”. Para ela, há vários fatores a condicionar a poupança, sendo um deles a literacia financeira, que é insuficiente. “Quando era pequena, aprendíamos o conceito do mealheiro, de ir poupando. Fazíamos compras e, portanto, percebíamos o valor do dinheiro, aquilo que ele podia e não podia comprar. E isso, ao longo do tempo, foi-se perdendo”.

    E, apesar de se falar em introduzir estes temas nas escolas, o desafio imediato está nos adultos, não nos produtos, vinca. “Os produtos existem. Existem produtos sem risco e produtos com risco, mas é preciso perceber a diferença entre eles. É novamente o problema da literacia financeira. Mas isso não se consegue resolver só com produtos ou só com literacia financeira. O setor tem que trabalhar de uma forma colaborativa e partilhada”.

    Um dos obstáculos mais concretos é a dispersão da informação. Um consumidor com produtos em várias seguradoras não tem forma simples de saber, num único lugar, o valor do seu património nem o que ele está a render. A solução passa, na sua perspetiva, por uma maior colaboração tecnológica e de informação entre seguradoras e mediadores e por uma visão mais integrada do ecossistema.

    Os produtos existem. Existem produtos sem risco e produtos com risco, mas é preciso perceber a diferença entre eles. E isso não se consegue resolver só com produtos ou só com literacia financeira. O setor tem que trabalhar de uma forma colaborativa e partilhada.

    Ana Teixeira, Co-founder e CEO da Mudey

    Há ainda um segundo ponto: os benefícios de reforma facultados pelas empresas. Ana Teixeira defende que deveria existir uma componente de maior “obrigatoriedade” nestes benefícios. A razão é pragmática: “a obrigatoriedade força-nos a tentar entender o que estamos a ser obrigados a fazer, e isso cria literacia”.

    As consequências do infra-seguro

    O caso do comboio de tempestades que devastou Leiria no final de fevereiro também não pôde deixar de estar em cima da mesa. Sofia Mendes, da Verlingue Portugal que esteve no local, descreve o que encontraram: “Foram, em maioria, pessoas que mesmo tendo o seguro multirriscos – que já era quase um milagre – estavam em infra-seguro. Portanto, aquilo que vão receber não é o suficiente para conseguir cobrir os danos causados”.

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    Para Sofia, é necessário mudar a cultura de risco em Portugal. “São muito poucas as empresas em Portugal que têm liquidez para conseguir sobreviver e pagar os restantes danos que foram causados ao material”, explica, sublinhando que a falta de seguro e as situações de infra-seguro se devem a esta “cultura de risco muito pobre, porque [as empresas] não veem como um investimento, veem como um custo”.

    O problema é, mais uma vez, de perceção: as empresas olham para o prémio do seguro como um custo adicional, quando deveria ser encarado como um investimento.

    A mediação deve adotar um novo papel

    Uma das mudanças de paradigma necessária é a redefinição do papel do mediador, para que passe de vendedor a consultor, defende Ana Teixeira. “O mediador é em quem o cliente confia”, diz. Para isso, são precisas ferramentas e dados em tempo real.

    Deve existir uma partilha de informação usando o que a tecnologia tem de melhor para que todas as partes consigam fazer o seu trabalho de forma mais eficaz, produtiva e eficiente”, defende.

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    A digitalização é, para ambas as especialistas, incontornável no setor. O consumidor de hoje quer “consultar os seus seguros no telemóvel, comparar coberturas, perceber o que tem e o que lhe falta”. Um setor que não responde a esta expectativa está a nadar contra a maré. “Não faz sentido pensarmos que vamos conseguir contrariar isso”, vinca Ana Teixeira.

    A par da digitalização, a simplificação da linguagem é outro imperativo. O chamado “segurês” é um obstáculo à adesão. Sofia Mendes reconhece as limitações legais e regulamentares que condicionam a comunicação, mas defende que é possível e necessário fazer melhor: “Temos que conseguir tornar a nossa linguagem cada vez mais acessível e compreensível”, afirma. “Mas sou muito otimista, acho que é um desafio, mas que já estamos a fazer esse caminho”.

    Mais mulheres no setor, mas não nos cargos de topo

    O setor segurador é predominantemente masculino nos cargos de topo, no entanto existem cada vez mais mulheres interessadas em ingressar no setor. O problema está na progressão: à medida que se sobe na hierarquia, a representação feminina diminui.

    Sobre as quotas, as duas profissionais partilham a mesma visão. Para Sofia Mendes, devem funcionar como “acelerador” e não como fim, “sem desvirtuar os processos e as oportunidades, porque acredito na meritocracia e acho que as pessoas devem chegar, independentemente do seu género, a essas posições de tomada de decisão pelo seu mérito, capacidade e competência”, explica. “Agora, o interesse das mulheres no setor segurador é evidente. Já não é esse o tema (…) As mulheres já superam os homens e, portanto, há, de facto, evidências de que as mulheres querem trabalhar neste setor”.

    As pessoas devem chegar, independentemente do seu género, a essas posições de tomada de decisão pelo seu mérito, capacidade e competência.

    Sofia Mendes, Membro da Comissão Executiva da Verlingue Portugal

    Ana Teixeira concorda, defendendo uma mudança estrutural e natural, mas reconhecendo que mecanismos de aceleração podem ser úteis para tornar a desigualdade visível a quem toma decisões. “A própria sociedade foi evoluindo. Portugal ainda é um país relativamente tradicional em alguns costumes, mas existe uma evolução”, diz. “Acho que temos que criar as oportunidades, as ferramentas, para que as coisas evoluam de forma natural e todos tenhamos um papel a desempenhar na nossa diferença”.

    O caminho, dizem, está a ser feito, mas mais lentamente do que o desejável, apesar de forma consistente.

    Assista aqui ao debate completo:

  • APS promove formação sobre seguros e economia da longevidade

    APS promove formação sobre seguros e economia da longevidade

    APS promove formação sobre seguros e economia da longevidade

    APS promove formação sobre seguros e economia da longevidade


    A Associação Portuguesa de Seguradores, com o Conhecimento e Aprendizagem de Seguros da APS (CASA), anunciou o início do ciclo de estudos “Os Seguros e o tempo da vida: Longevidade, Poupança e Saúde”. O primeiro curso neste ciclo é sobre “Seguros e a economia da longevidade”, com data marcada para dia 5 de maio, das 09h30 às 11h30, na sede da APS.

    O objetivo desta formação é abordar o papel do setor na “evolução de modelos centrados na proteção para soluções que apoiem a segurança financeira” numa altura em que as pessoas vivem cada vez até mais tarde, através da análise de “inovações médicas e de novas estratégias de negócio”.

    Destina-se a colaboradores do setor segurador das áreas Vida, Saúde e Pensões, responsáveis de produto, inovação, marketing, a atuários, bem como a distribuidores de seguros e outros profissionais interessados.

    A lecionar este curso estão Adrita Bhattacharya-Craven, Director Population Health Trends – The Geneva Association, e Gonçalo Castro Pereira, Vice-Presidente da Gamalife e Presidente da Comissão Técnica CASA da APS. A coordenação Técnico-Pedagógica está a cargo de Helena Rêgo, Professora Universitária e Diretora CASA da APS.

    Para mais obter mais informações acerca deste curso, ou para se inscrever, clique aqui.

  • KPMG diz que vai chegar uma nova vaga de aquisições de seguradoras

    KPMG diz que vai chegar uma nova vaga de aquisições de seguradoras

    KPMG diz que vai chegar uma nova vaga de aquisições de seguradoras


    O setor dos seguros a nível mundial está a entrar num novo ciclo de transformação profunda, marcado pela aceleração da inteligência artificial (IA), pelo reforço da cibersegurança e pela intensificação das operações de fusões e aquisições. Estas conclusões constam do relatório do Insurance CEO Outlook da KPMG, que reuniu as perspetivas de 110 CEO das maiores seguradoras mundiais, todas elas com receitas anuais superiores a 500 milhões de dólares.

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    Nuno Esteves, Head of the Insurance Sector da KPMG Portugal, considera que o país “tem aqui uma oportunidade única para acelerar esta transformação e reforçar a sua posição num mercado cada vez mais global”.

    “Com 73% dos CEOs a dar prioridade à IA e 83% a identificar o cibercrime como o maior risco, fica claro que a capacidade de modernização tecnológica e de gestão de risco distinguirá os líderes das próximas décadas. Portugal tem aqui uma oportunidade única para acelerar esta transformação e reforçar a sua posição num mercado cada vez mais global”, comentou Nuno Esteves, Head of the Insurance Sector da KPMG Portugal.

    M&A volta a ganhar impulso

    A intensificação das operações de fusões e aquisições (M&A) é uma das conclusões mais marcantes do estudo. Metade dos CEO planeiam realizar transações de elevado impacto nos próximos três anos – o valor mais elevado entre todos os setores analisados – e 41% admitem avançar com operações de impacto moderado, focadas na aquisição de insurtech, capacidades de análise de dados e expansão para novas linhas de negócio.

    Entre as motivações principais encontram-se a necessidade de modernizar sistemas legados, de responder às crescentes exigências regulatórias em matéria de cibersegurança e ESG, e de beneficiar de sinergias operacionais que permitam reduzir custos de capital.

    Inteligência artificial no centro da estratégia

    A IA consolidou-se como eixo estratégico das seguradoras a nível mundial. 73% dos CEOs destacam-na como a principal prioridade de investimento e 67% tencionam dedicar entre 10% e 20% dos seus orçamentos anuais a projetos de IA. Além disso, 67% esperam obter um retorno financeiro destes investimentos num prazo curto de um a três anos, o que representa um aumento significativo face aos 21% que tinham esta expectativa em 2024.

    Rui Gonçalves, Partner e Head of Technology Consulting da KPMG Portugal refere estarmos perante uma mudança estrutural: “a IA deixa de ser piloto e torna-se o motor de competitividade nas seguradoras. Com mais de 70% dos CEOs a priorizarem investimento, a IA já impulsiona a eficiência, a subscrição, e o combate à fraude e personalização. O salto na expectativa de retorno em 1a 3 anos mostra que os casos de uso estão a escalar. Quem investir na IA, com boa governance e dados, ganhará vantagem sobre os restantes players do mercado”, conclui.

    Entre as aplicações mais avançadas, destacam-se a automatização de sinistros com análise automática de imagens, modelos de subscrição algorítmica baseados em dados alternativos, soluções de combate à fraude com recurso à IA e a utilização crescente de agentes inteligentes em operações híbridas. O estudo realça também o potencial da IA agêntica, com 44% dos CEOs a preverem um impacto significativo ou transformacional nos seus modelos operacionais.

    Cibercrime é o maior risco para as seguradoras

    À medida que a transformação digital acelera, o cibercrime destaca-se como a principal ameaça ao crescimento das seguradoras. De facto, 83% dos CEOs identificam a insegurança digital como o maior obstáculo à expansão das suas organizações, tornando a cibersegurança uma área prioritária de investimento, nomeadamente no que se refere à resiliência digital e à proteção de dados sensíveis.

    Além disso, 56% dos líderes referem que os desafios éticos da IA, relacionados com a transparência, os enviesamentos e a explicabilidade dos modelos, são a maior barreira à sua implementação, o que evidencia o crescente peso da regulação tecnológica, sobretudo na Europa.

    Talento tecnológico e upskilling são fatores críticos

    O relatório indica que as seguradoras enfrentam uma pressão crescente para atrair e reter talento especializado em IA, análise de dados e cibersegurança. 77% dos CEOs referem que a falta de competências em IA limita a capacidade de crescimento das suas organizações e 75% reconhecem um aumento significativo da concorrência no que se refere a talento tecnológico.

    A formação interna ganha, assim, maior relevância, com 83% dos inquiridos a afirmarem que a IA já transformou os métodos de formação e desenvolvimento dos colaboradores. O impacto do envelhecimento demográfico no setor também é evidente: 31% dos líderes indicam que a saída de trabalhadores experientes para a reforma é um dos maiores desafios de gestão de talento.

    Apesar de tudo, CEO mais otimistas quanto ao crescimento

    O relatório revela que os líderes das seguradoras estão muito mais confiantes no crescimento do setor e das suas próprias empresas. De facto, 82% dos CEOs afirmam estar otimistas em relação ao desempenho das suas empresas nos próximos três anos, o que representa um aumento substancial face aos 74% registados em 2024. Em paralelo, 78% acreditam no crescimento contínuo da indústria seguradora a nível mundial.

    Este otimismo é reforçado pelas projeções financeiras: 15% dos CEOs esperam um crescimento anual entre 5% e 9,9%, o que representa um aumento face aos 11% registados no ano anterior, enquanto 41% antecipam aumentos entre 2,5% e 4,9%. A procura crescente de seguros de saúde, de vida, de ciber-risco e de interrupção de atividade contribui para este cenário positivo.

    A KPMG, autora do estudo, é uma rede global de firmas que prestam serviços de auditoria, fiscalidade e consultoria presente em 138 paíse. Em Portugal, a KPMG tem escritórios em Lisboa, Porto e Évora com 93 membros em partnership e mais de 1.700 colaboradores.

    O estudo pode ser visto aqui

     

     

  • Evidência científica e proteção na gestão de risco de catástrofes

    Evidência científica e proteção na gestão de risco de catástrofes

    Evidência científica e proteção na gestão de risco de catástrofes

    Evidência científica e proteção na gestão de risco de catástrofes


    O recente Memorando de Entendimento entre a EIOPA e o Joint Research Centre (JRC) representa um passo relevante na evolução da regulação e da supervisão de risco na União Europeia. Este acordo surge no contexto de crescente exposição a riscos climáticos extremos com reconhecimento institucional da necessidade de reforçar a base técnica e científica que suporta as decisões de política pública e de supervisão prudencial.

    O memorando visa aprofundar a cooperação entre investigação aplicada e regulação financeira, promovendo a utilização de dados mais robustos, metodologias mais consistentes e modelos de risco mais sofisticados no domínio das catástrofes naturais. Da análise técnica do acordo, ressalta uma iniciativa não limitada ao reforço da cooperação institucional, mas a intenção clara de sinalizar uma mudança estrutural, na transição para uma abordagem de risco orientada por evidência científica e suportada por infraestruturas de dados integrados.

    Neste contexto, esta evolução responde à agenda europeia de adaptação às alterações climáticas e de reforço da resiliência económica e financeira, onde o setor segurador assume um papel central como mecanismo de transferência de risco e de estabilização sistémica.

    Análise de riscos de catástrofes naturais

    Um dos elementos relevantes do processo é o desenvolvimento e a integração de plataformas de dados como o Risk Data Hub e o Catastrophe Data Hub, com introdução de um mecanismo identificador único de evento (Unique Event Identifier – UID). Tais ferramentas permitem a recolha estruturada, comparável e sistemática de dados sobre perdas associadas a catástrofes naturais, superando as limitações históricas do setor relacionadas com a fragmentação da informação.

    A possibilidade de agregar dados de sinistros por evento, com granularidade e consistência metodológica, representa um avanço considerável na avaliação do risco, do ponto de vista prudencial e macroeconómico. As perdas seguradas podem ser tratadas como informação estratégica, permitindo análises rigorosas sobre exposição, severidade e impacto sistémico.

    Este desenvolvimento tem implicações diretas na calibração dos requisitos de capital das seguradoras, no âmbito do regime central do setor, na avaliação da exposição a eventos extremos e na integração do risco climático no sistema financeiro europeu. Ao mesmo tempo, contribui para reduzir assimetrias de informação no mercado e reforçar a transparência, criando condições para decisões mais informadas por parte de reguladores, seguradoras e decisores políticos.

    Paralelamente, esta articulação entre ciência e supervisão aproxima, de forma inédita, três dimensões frequentemente dissociadas: investigação, supervisão e mercado. Trata-se de uma convergência relevante para a construção de uma arquitetura de conhecimento sobre risco, com impacto direto na qualidade dos processos de governação, gestão e supervisão dos riscos no ecossistema financeiro.

    Risco estrutural e orientação estratégica

    Esta evolução não deve, contudo, ser analisada de forma isolada. Pelo contrário, insere-se num contexto de transformação do modelo de gestão de risco, caracterizado pela transição de uma abordagem reativa para uma lógica prospetiva e integrada. Neste sentido, as catástrofes naturais representam um risco estrutural, com implicações económicas, sociais e territoriais profundas, cuja gestão, governação e supervisão de riscos exige mecanismos de antecipação, financiamento e partilha de risco mais robustos.

    É precisamente nesta dimensão que o tema da redução do protection gap assume particular relevância. A melhoria da qualidade e granularidade dos dados permitirá uma medição mais precisa deste défice de proteção, tornando-o mais visível, mas também mais exigente do ponto de vista da orientação das decisões de política. A passagem de estimativas agregadas para análises baseadas em eventos concretos permitirá intervenções mais direcionadas e eficazes.

    Neste enquadramento, o debate no setor segurador reforça a urgência de respostas estruturais a nível interno. A defesa da criação de um fundo de catástrofes nacional, inspirado em modelos existentes em países de clima mediterrânico como França, Espanha e Marrocos, evidencia a necessidade de evoluir de um modelo reativo para um sistema mais preventivo e de cobertura mais alargada.

    A defesa da eventual obrigatoriedade de cobertura, à semelhança do que ocorre no ramo automóvel, ao permitir corrigir uma falha estrutural de proteção e introduzir previsibilidade no sistema, pode revelar-se pertinente no caso das catástrofes naturais, cujo desafio é semelhante, embora mais complexo, dada a natureza sistémica dos riscos envolvidos.

    Importa, adicionalmente, sublinhar que a criação de mecanismos de financiamento, como fundos nacionais ou sistemas obrigatórios de cobertura, não pode ser dissociada da evolução das infraestruturas de dados e dos modelos de gestão de riscos. Sem uma base técnica sólida, qualquer solução corre o risco de se tornar ineficiente, desigual ou insustentável no longo prazo.

    Conclusão

    O momento atual representa uma oportunidade para reforçar a coerência entre regulação, supervisão e enquadramento de governação no domínio da gestão de risco. O memorando em causa permite consolidar as bases técnicas e científicas necessárias ao desenvolvimento deste processo de forma transversal, beneficiando da partilha de dados, conhecimento científico e experiência europeia.

    As propostas do setor segurador em matéria de financiamento e partilha de risco exigem integração num modelo consistente de governação e supervisão, que permita:

    • Reforçar a utilização de dados e evidência científica na supervisão prudencial e no enquadramento regulatório, garantindo que decisões críticas são suportadas por informação robusta e comparável;
    • Promover mecanismos de cobertura universal e de pré-financiamento do risco, que permitam reduzir o impacto económico e social das catástrofes, assegurando maior previsibilidade e equidade na resposta;
    • Desenvolver um modelo de governação integrada do risco, que articule de forma coerente o setor segurador, as autoridades de supervisão e a comunidade científica, ultrapassando a fragmentação atual.

    O desafio de resposta a eventos extremos representa uma transformação estrutural na forma como o risco é compreendido, gerido e distribuído na sociedade. O setor segurador enfrenta aqui uma oportunidade, mas também uma responsabilidade, de se afirmar como pilar central desta evolução. Este tema assume uma dimensão simultaneamente técnica, regulatória e estratégica, exigindo a (re)construção, antes da próxima crise, de um sistema mais resiliente, mais justo e mais preparado para lidar com a incerteza.

  • APROSE 50 Anos: O retrato de Nuno Arruda

    APROSE 50 Anos: O retrato de Nuno Arruda

    APROSE 50 Anos: O retrato de Nuno Arruda


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    História de Vida nos Seguros é um podcast da iniciativa da APROSE que ao longo de 2026 trará a público o perfil de protagonistas de referência no mercado segurador de Portugal.

    A dar continuidade à História de Vida nos Seguros, podcast comemorativo dos 50 anos da APROSE – Associação Nacional de Agentes e Corretores de Seguros, numa parceria com o ECOseguros, o convidado é Nuno Arruda, CEO da WTW Portugal, com um percurso consolidado no setor segurador ao longo de duas décadas.

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    O Presidente da WTW Portugal é o segundo convidado do setor dos seguros na série de podcasts promovido pela APROSE para comemorar os 50 anos da instituição que agrega agentes e corretores em Portugal

    A conversa decorreu de forma dinâmica, consistente e inspiradora. Nuno Arruda revisitou o seu trajeto profissional, refletindo sobre o equilíbrio com a vida pessoal, as referências que marcaram o seu caminho e os desafios e aprendizagens acumulados ao longo de uma carreira sólida no setor segurador, que hoje o levam à liderança da WTW Portugal.

    O seu testemunho assume particular relevância, não só para quem ambiciona iniciar percurso na área dos seguros, mas também para os profissionais do setor que, diariamente, reforçam o seu papel estratégico na sociedade portuguesa.

    Não perca a conversa completa com Nuno Arruda aqui:

  • Seguro vai ser (mesmo) obrigatório para habitações e empresas

    Seguro vai ser (mesmo) obrigatório para habitações e empresas

    Seguro vai ser (mesmo) obrigatório para habitações e empresas

    Seguro vai ser (mesmo) obrigatório para habitações e empresas


    A constituição de “um fundo de catástrofes naturais e sísmicas, com reforma do regime de cobertura de riscos e criação de seguro obrigatório para habitações, apoiado por mecanismo de solidariedade para garantir acesso universal” é uma das primeiras mediadas previstas no PTRR – Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência, apresentado esta terça-feira pelo Governo.

    “A opção é estruturante e estratégica, seguro obrigatório para as habitações e estruturas físicas das empresas, com salvaguarda da solidariedade social para “garantir acesso universal”, disse o primeiro-ministro, Luís Montenegro, na apresentação do PTRR esta terça-feira.

    Embora no documento original do PTRR apenas esteja mencionada a obrigatoriedade do seguro para habitação, na apresentação Montenegro também mencionou instalações de empresas.

    Não podemos transmitir à sociedade a capacidade do Estado de pagar tudo a todos, isso não é sustentável”, acrescentou o primeiro ministro, defendendo a conciliação de responsabilidades públicas com a complementaridade com as organizações de solidariedade e privadas como as companhias de seguros. “Não podemos secundarizar o papel do setor segurador”, acrescentou.

     

    José Galamba de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Seguradores, afirmou a ECOseguros que “em representação das empresas seguradoras que operam em Portugal saúda uma das medidas emblemáticas do PTRR hoje anunciado, a criação do fundo de catástrofes naturais e sísmicas, com reforma do regime de cobertura de riscos e criação de seguro obrigatório para habitações, apoiado por mecanismo de solidariedade para garantir acesso universal e desde já declara a sua total disponibilidade para, junto das autoridades, desempenhar um papel ativo e construtivo na sua definição e implementação”.

    “Boas notícias”, comentou Nuno Martins, presidente da APROSE, associação que reúne os corretores e agentes de seguros em Portugal.

    A propósito da criação do Fundo de Catástrofes, José Galamba de Oliveira, presidente da APS, diz que a associação “declara a sua total disponibilidade para, junto das autoridades, desempenhar um papel ativo e construtivo na sua definição e implementação”.

    Atualmente os seguros de património são obrigatórios apenas para condomínios, ou seja, prédios em regime de propriedade horizontal, sendo exigida cobertura de incêndio da estrutura comum e frações para o edifício, normalmente contratado pelo condomínio com base legal no Regime da Propriedade Horizontal.

    Nas frações autónomas em condomínio, cada proprietário deve ter seguro que cubra a sua fração, mas não é obrigatório.

    Não sendo obrigação legal, é exigido pelos bancos em caso de crédito à habitação um seguro de incêndio e frequentemente seguro multirriscos habitação. Neste estão normalmente incluídos os riscos incêndio, tempestades, inundações, danos por água para além de – em alguns casos – responsabilidade civil e roubo.

    O Governo vai assim tornar o seguro obrigatório, seguindo o modelo apresentado pela ASF, entidade supervisora do setor dos seguros e fundos de pensões, como fonte regular de financiamento do futuro Fundo de catástrofes naturais e sísmicas.

    Notícia atualizada às 19h45 com declarações de José Galamba de Oliveira, presidente da APS. e Nuno Martins, presidente da APROSE, associação dos corretores e agentes de seguros em Portugal.

  • APS lança curso sobre análise de riscos para acidentes de trabalho

    APS lança curso sobre análise de riscos para acidentes de trabalho

    APS lança curso sobre análise de riscos para acidentes de trabalho

    APS lança curso sobre análise de riscos para acidentes de trabalho


    A Associação Portuguesa de Seguradores (APS), com o Conhecimento e Aprendizagem de Seguros da APS (CASA), anunciou o curso “Análise de Riscos para o Ramo de Acidentes de Trabalho”, que decorrerá de 13 de maio a 8 de julho, nas instalações da Fundação António Cupertino de Miranda, na Avenida da Boavista, no Porto.

    O objetivo da formação é dotar os participantes de conhecimentos e competências técnicas no âmbito da Segurança e Saúde no Trabalho, capacitando-os para a realização de análises de riscos orientadas para o ramo de acidentes de trabalho. O programa inclui temas como legislação laboral, novos modelos de trabalho, o impacto da Inteligência Artificial na prevenção de riscos, produtos químicos, máquinas e equipamentos, e metodologias de elaboração de relatórios de análise de riscos. O curso inclui ainda três visitas de estudo, permitindo a aplicação prática de metodologias de análise de riscos.

    Destina-se a colaboradores do setor segurador nas áreas de subscrição, gestão de produto e sinistros de acidentes de trabalho, bem como a técnicos analistas de riscos industriais, peritos averiguadores de sinistros e quadros técnicos de empresas cuja atividade se relacione com a segurança e saúde no trabalho.

    Coordenado por Hélder Azevedo Ferreira, a formação será conduzida por uma equipa que inclui ainda Joana Carneiro, João Moreira, Marta Silva, Nuno Miguel Januário e Rogério Marques.

    Para obter mais informações acerca deste curso, ou para se inscrever, clique aqui.

  • Seguradoras dizem que lei do direito ao esquecimento “foi uma oportunidade perdida”

    Seguradoras dizem que lei do direito ao esquecimento “foi uma oportunidade perdida”

    Seguradoras dizem que lei do direito ao esquecimento “foi uma oportunidade perdida”

    Seguradoras dizem que lei do direito ao esquecimento “foi uma oportunidade perdida”


    A Associação Portuguesa De Seguradores (APS) critica o decreto final do “direito ao esquecimento” por “não resolver as principais questões” destacadas pelas seguradoras anteriormente, disse fonte da associação a ECOseguros.

    A APS explica que em “nada” esta iniciativa apresenta “alterações relevantes para o setor”, ressaltando que é importante que estes regimes estejam estruturados de forma a não gerarem “conflitualidade” ou a “penalizar a generalidade dos demais segurados”.

    Explicam que a falta de um documento médico que comprove a data exata em que uma doença é superada e o não esclarecimento das dúvidas existentes sobre o regime de mitigação das doenças são um problema. Consideram que as alterações realizadas foram “uma oportunidade perdida para superar as imperfeições do regime”.

    A Lei n.º 14/2026, de 27 de abril, reforça o “direito ao esquecimento” e as proteções ao consumidor na contratação de seguros relacionados com créditos, alterando três diplomas e confirmando que pessoas que superaram ou mitigaram doenças ou deficiências têm direito a não ser prejudicadas ao contratarem um crédito à habitação, um crédito ao consumo, ou a seguros associados a esses créditos.

    Com a publicação desta lei, o regime passa a abranger também créditos para fins profissionais/comerciais quando contratados por pessoas singulares, especificando algumas das patologias abrangidas (doenças oncológicas, VIH, diabetes e hepatite C).

    A lei foi aprovada na Assembleia da República pelo PS, Chega, Livre, PCP, BE, PAN e JPP, com votos contra do PSD e CDS-PP e abstenção da Iniciativa Liberal.

  • Portugal não está preparado — E já não há desculpas

    Portugal não está preparado — E já não há desculpas

    Portugal não está preparado — E já não há desculpas

    Portugal não está preparado — E já não há desculpas


    Portugal convive diariamente com riscos contratuais e económicos que são tudo menos inesperados.

    Estão entranhados na forma como o mercado funciona, na maneira como se constroem relações entre particulares e empresas, na realidade das transações imobiliárias, dos arrendamentos, das empreitadas e das parcerias empresariais. Contudo, insistimos em atuar como se cada incumprimento fosse uma surpresa, cada litígio um imprevisto e cada falha uma fatalidade.

    Há, no funcionamento económico português, uma espécie de “normalização do risco”: ele está presente, é reconhecido, mas raramente é tratado com instrumentos capazes de o neutralizar. Esta contradição — um mercado onde o risco é estrutural, mas a proteção é frágil — não é apenas juridicamente problemática; é economicamente insustentável.

    Grande parte das relações contratuais em Portugal assenta em pressupostos que não resistem ao escrutínio. Na prática, prevalece uma confiança desproporcional, quase ingénua, em garantias informais, cauções insuficientes, cláusulas ambíguas ou, simplesmente, na esperança de que “vai correr tudo bem”. Mas a experiência mostra o contrário. Os problemas repetem‑se: obras que não terminam, contratos que não se cumprem, arrendamentos que se transformam em disputas longas, fornecedores que falham entregas essenciais. E ainda assim, o país aborda estes riscos como se fossem exceções esporádicas.

    A ilusão de que o contrato é suficiente é talvez o maior sintoma deste problema. Um contrato não impede o incumprimento; limita-se a descrever as consequências depois de ele ocorrer. É um instrumento jurídico fundamental, mas não é um mecanismo de proteção económica. A assinatura não blinda o futuro — apenas documenta intenções.

    A litigância — tantas vezes vista como inevitável — é um sinal claro da falta de mecanismos preventivos eficazes. Cada litígio representa custos, atrasos, incerteza e desgaste. O sistema judicial transforma‑se no espaço onde se resolvem falhas que podiam ter sido evitadas com garantias mínimas e soluções mais modernas de proteção.

    Outro traço estrutural é a dependência excessiva das garantias bancárias. Elas servem um propósito, mas têm limitações óbvias: consomem créditos, exigem contrapartidas, limitam a liquidez e penalizam sobretudo PME e particulares. São instrumentos que pertencem a um modelo económico mais lento, mais rígido e menos digital — precisamente o oposto da economia que hoje exigimos.

    A vulnerabilidade do consumidor e da pequena empresa é sistémica. As famílias enfrentam arrendamentos com cauções tradicionais pouco seguras, compram casas em planta sem garantias adequadas e lidam com obras de pequena dimensão onde o risco de incumprimento é elevado. As PME, por sua vez, sofrem impactos imediatos na tesouraria quando fornecedores falham prazos ou clientes não cumprem obrigações. Portugal não tem, ainda, uma verdadeira cultura de prevenção. Habituou‑se a lidar com as consequências do risco, em vez de enfrentar as causas. Falta uma abordagem que reconheça que o risco faz parte da vida económica, mas que também reconheça que ele pode — e deve — ser mitigado antes de se tornar dano.

    O país não precisa de mais diagnósticos. Precisa de mecanismos práticos que alterem o funcionamento real do mercado. Precisa de soluções que substituam a confiança cega por garantias objetivas. Precisa de agir, não de esperar.

    Portugal ainda não está preparado.

    E é exatamente por isso que já não há desculpas.